AQ proposto pelo TJSP é sinônimo de descaso com servidor
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20/1/2015 - Assetj / Por Janaína Marquesini
 
FOTO JANAÍNA MARQUESINI
TJSP insiste em não cumprir a Lei 1217/13 que assegura Adicional de Qualificação

Mais uma reunião para tratar do Adicional de Qualificação aconteceu na manhã do dia 20 de janeiro entre Assetj, entidades do Judiciário e TJSP.

Na abertura da reunião, que começou volta das 11h, a indignação foi total por parte das entidades. Os líderes do Judiciário negaram de antemão o anúncio de que, mais uma vez, o Tribunal não pretende cumprir a Lei 1217/13 na sua totalidade. Dessa vez a proposta seria analisar caso a caso os cursos de pós-graduação aceitos para pagamento do benefício e excluir o pagamento aos inativos. 

A assessoria da presidência do Tribunal de Justiça, representada pelo desembargador Antônio Carlos Malheiros, pelas juízas Maria de Fátima Pereira da Costa e Silva, Maria Fernanda Rodovalho e o pelo juiz Fernando Awensztern Pavtovsky, propôs a implantação do AQ com essas restrições e alegou interpretações que prejudicam os servidores. 

Diante deste último encontro ficou claro o descaso da maior corte do mundo, que deixa de cumprir uma lei, e o pior: uma lei que essa mesma corte criou.

Confira o artigo do presidente da Assetj José Gozze sobre o tema:

 

Adicional de Qualificação, interpretar o quê?

O Tribunal de Justiça ao interpretar o art. 37 previsto na Lei 1217/13, que trata do Adicional de Qualificação, desfigura os direitos dos servidores. Querem sacrificar a premiação dos que, com sacrifício, buscaram sua graduação e pós-graduação e em seguida a utilizaram na qualificação dos serviços prestados ao Judiciário.

Essa discussão se arrasta desde o final de 2013 sempre procurando retirar os direitos contidos na lei em prejuízo aos servidores. Inicialmente a desculpa foi de não ter verba para esse pagamento, quando o próprio Executivo ao sancioná-la fala em suplementar a verba se necessário conforme descrito no artigo 12.

Com essa desculpa da falta de verba veio a primeira desconfiguração, quando o Tribunal anunciou que escolheria apenas a graduação em ciências jurídicas para receber o prêmio. Porém, uma simples leitura do caput do art. 37 deixava claro que o Adicional  abrange todas as graduações: “É instituído o Adicional de Qualificação – AQ destinado aos servidores do Tribunal de Justiça, em razão dos conhecimentos adicionais adquiridos, comprovados por meio de títulos, diplomas ou certificados de cursos de graduação ou pós-graduação, em sentido amplo ou estrito.”

Agora a interpretação mais recente aceita todas as graduações, porém, restringe a pós, premiando somente os servidores com cursos jurídicos. De qual parte do artigo foi extraído esse entendimento?

Mas o absurdo não termina. O parágrafo 5o. estende, (e não poderia ser de outra forma) aos aposentados que na época da aposentadoria já eram graduados ou pós-graduados.  E portanto, qualificados enquanto prestadores de serviço para o trabalho jurisdicional prestado à  população quando na ativa. Mas aqueles que estão qualificados e na ativa, a interpretação do Tribunal é cortar o direito na hora de se aposentar.

Imagine dois servidores: o José e o João. Quando aprovada a lei, o José já estava aposentado há um ano ou mais. Como graduado anterior a essa aposentadoria tem o direito garantido. Já o João, na ativa quando aprovada a lei e que tem mais anos de funcionalismo pela frente antes de se aposentar, perderá o direito mesmo qualificado na prestação do serviço judiciário. Onde está a lógica dessa interpretação?

E por último, segundo a interpretação do Tribunal, o índice do Prêmio de Qualificação recai apenas e simplesmente sob o salário base. Quando o texto novamento favorece os servidores: “O Adicional de Qualificação – AQ incidirá sobre os vencimentos brutos equivalentes à base de contribuição previdenciária do cargo em que o servidor estiver em exercício”. Ou seja, além de deixar claro que o cálculo deve ser sobre os vencimentos brutos, ainda reforça o entendimento declarando que esses vencimentos brutos equivalem sob a base de contribuição previdenciária.

Não vamos aceitar nenhuma interpretação que desfigurando o texto da lei e retira direito dos servidores do Judiciário.

Simplesmente, cumpra-se a lei, que já se faz tarde.

José Gozze, presidente da Assetj

 
 
 
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